quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

INESC TEC desenvolve fato para monitorizar nadadores

Imagem D/R

O INESC TEC, em parceria com a Universidade do Minho e a Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, desenvolveu um equipamento de treino que pode permitir aos treinadores de nadadores de alta competição avaliarem os diversos parâmetros biométricos e de desempenho, contribuindo para um maior conhecimento e melhores resultados.

Adriano Cerqueira

O projeto chama-se BIOSWIM - Body Interface System based on Wearable Integrated Monitorization, um sistema de interface corporal baseado em monitorização integrada que pode ser usado por um atleta, um nadador casual ou um paciente em reabilitação fisioterapêutica. Uma solução universal para monitorizar sinais fisiológicos e biomédicos de um nadador sob condições de treino tanto dentro como fora de água, com possíveis aplicações em todos os desportos ou atividades em meio aquático.

O objetivo é criar um fato instrumentado de natação, com cerca de vinte sensores colocados em zonas estratégicas, para se analisar parâmetros biomecânicos, fisiológicos e de desempenho do nadador. Por exemplo, o ritmo cardíaco, a atividade muscular, acelerações dos membros, pressão palmar, temperatura timpânica, frequência respiratória e velocidade do nadador, entre outros.

O fato é composto por sensores eletrónicos e têxteis integrados, sendo os dados enviados por um sistema sem fios para análise em tempo real podendo, simultaneamente, ser guardados em memória para análise posterior. Deste modo o treinador poderá complementar a sua observação com dados que permitirão aperfeiçoar o desempenho do atleta, assim como aperceber-se de sinais de fadiga extrema ou de alerta.

O BIOSWIM surgiu em 2006, como proposta de investigadores do 2C2T, do Centro Algoritmi, ambos da U. Minho, do INESC TEC e da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, tendo-se iniciado em finais de 2007 com apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. No projeto colaborou ainda a nadadora do FC Porto, Sara Oliveira que representou Portugal nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008. No futuro este equipamento pode vir a ser aplicado noutros desportos e áreas, desde a saúde ao lazer.

Fonte Original: BIP 123

terça-feira, 10 de março de 2009

Liga dos Campeões: Eficácia Alemã arrasa Leão desmotivado

O Sporting foi a Munique tentar limpar a má imagem deixada no jogo de Alvalade, mas foi a equipa da casa que aproveitou a desmotivação leonina para fazer história ao golear os lisboetas por sete bolas a uma.

Adriano Cerqueira

A equipa de Alvalade até entrou bem com o primeiro remate de Moutinho a passar ao lado da baliza de Butt. Mas cedo o Bayern tomou controlo da partida empurrando os leões para o seu meio campo. A pressão dos alemães não tardou a dar frutos com o primeiro golo a surgir aos sete minutos por Lukas Podolski. Rui Patrício nada pôde fazer para travar o remate de fora de área do avançado alemão. O Bayern aliviou um pouco a pressão após o golo, mas o Sporting continuava com dificuldades em sair do seu meio campo. Aos 18 minutos a equipa da casa está novamente perto do segundo golo, com Rui Patrício a não segurar uma bola que parecia fácil, valendo ao Sporting o corte de Polga que desvia para o poste. Aos 28 minutos a equipa leonina conquista o primeiro canto da partida com a bola a ir parar às mãos de Butt. No contra-ataque o Bayern chega ao segundo golo, após Podolski aproveitar a atrapalhação de Rui Patrício com Polga, que deixaram a baliza aberta, permitindo assim que o avançado bisasse na partida. A equipa de Alvalade conseguiu subir no terreno e aos 36 minutos rematou pela primeira vez à baliza do Bayern, através de Vckcevic. O Montenegrino voltou a tentar a sua sorte no minuto seguinte, desta feita de livre, obrigando Butt a uma defesa apertada. Foram apenas preciso esperar mais dois minutos para os adeptos alemães voltarem a gritar golo. Desta vez de canto, Polga intercepta a bola só que acaba por a empurrar para dentro das redes de Rui Patrício. A defesa do Sporting mostrava claros sinais de insegurança e a repetição do desastre da primeira-mão parecia inevitável. Contudo, as esperanças leoninas voltaram a crescer quando aos 41 minutos João Moutinho remate de fora de área para um dos melhores golos da partida. No entanto, esta esperança foi sol de pouca dura, já que Schweinsteiger, após receber a bola dentro da área leonina sem oposição, não perdoou e marcou o quarto golo dos alemães. Paulo Bento tinha à sua frente uma tarefa complicada para motivar os seus jogadores assim que o árbitro apitou para o intervalo.

Ambos os treinadores aproveitaram o intervalo para fazer alterações nas suas equipas. No Sporting Izmailov e Abel entraram para os lugares de Pereirinha e Miguel Veloso. A equipa de Alvalade entrou melhor na partida chegando mesmo a desperdiçar duas boas oportunidades de golo. Primeiro por Izmailov, aos 60 minutos, com um forte remate de fora de área após insistência de Polga que obrigou Butt a uma boa defesa, e aos 66 minutos por Vukcevic que isolado frente ao guarda-redes alemão acaba por se atrapalhar e permitir a defesa a Butt. Sete minutos mais tarde surge o quinto golo da equipa da casa através de Van Bommel que rematou para o fundo das redes após assistência do recém entrado Muller. Aos 81 minutos, Pedro Silva fez falta sobre Klose dentro da grande área, o árbitro não hesitou ao apontar para a marca de grande penalidade. Rui Patrício ainda adivinhou o lado mas nada conseguiu fazer para evitar o sexto golo dos alemães, desta vez marcado por Klose. Os adeptos da equipa de Munique não foram embora sem festejar mais um golo do Bayern. Podolski, mesmo com queixas musculares, ganhou a bola fora de área e rematou forte para o sétimo e último golo da partida. O Sporting foi a Munique tentar limpar a má imagem deixada no jogo da primeira-mão, em vez disso volta para casa com o pior resultado de sempre na história europeia do clube.

Estádio Allianz Arena, em Munique

Árbitro: Martin Hansson (Suécia)

Bayern: Butt; Lell, Van Buyten, Lúcio (Breno, 46) e Lahm; Schweinsteiger (Muller, 72), Ottl, Van Bommel e Zé Roberto (Sosa, 46) ; Klose e Podolski

Suplentes: Rensing, Demichelis, Oddo e Deniz Ylmaz

Sporting: Rui Patrício; Pedro Silva, Tonel, Polga e Miguel Veloso (Abel, 46); Pereirinha (Izmailov, 46), Adrien Silva (Caneira, 74), Vukcevic e João Moutinho; Yannick e Derlei

Suplentes: Tiago, Daniel Carriço, Ronny e Tiuí

Marcadores: 1-0, Podolski (7); 2-0, Podolski (34); 3-0, Polga (39 p.b.); 3-1, João Moutinho (42); 4-1, Schweinsteiger (43); 5-1, Van Bommel (73); 6-1, Klose (82 g.p.); 7-1, Muller (90)

Disciplina: Cartão amarelo para João Moutinho (18) e Pedro Silva (77)

Ao intervalo: 4-1

Resultado final: 7-1

sábado, 17 de janeiro de 2009

Taça da Liga: Autogolo dá vitória ao FC Porto


Em jogo marcado pelo equilíbrio entre ambas as equipas valeu o autogolo de Luiz Nunes para o FC Porto bater a Académica. Os dragões precisavam de vencer para manter acesa a esperança de chegar às meias-finais da Taça da Liga.

Adriano Cerqueira

O FC Porto apresentou oito alterações em relação ao jogo a meio da semana com o Nacional. Entre as novidades destaca-se a estreia de Cissokho com a camisola dos azuis e brancos. Numa primeira parte marcada pelo equilíbrio entre ambas as equipas, foi a Académica que abriu as hostilidades quando aos 3 minutos duas perdas de bola do FC Porto permitiram aos “estudantes” levar perigo à baliza defendida pelo jovem Hugo Ventura. A primeira jogada de perigo dos dragões deu-se aos 13 minutos com Bruno Alves a cabecear ao lado da baliza de Rui Nereu, após canto marcado por Lucho. Na jogada seguinte a Académica voltou a criar perigo num ataque rápido que culminou com o remate de Lito ao lado. Aos 17 minutos Lito voltou a tentar a sua sorte, desta feita de fora de área, obrigando Ventura à primeira defesa apertada da noite. O resto da primeira parte pouco teve para acrescentar ao encontro. A equipa da casa mostrou várias dificuldades em encontrar espaços numa Académica que entrou em campo destemida e pronta a jogar de igual para igual com o FC Porto. Os dragões beneficiaram ainda de um último livre em posição frontal à baliza de Rui Nereu, já para lá dos 45 minutos, após mão na bola de Miguel Pedro. Bruno Alves rematou forte com a bola a passar a escassos centímetros da barra. O 0-0 ao intervalo era o espelho do equilíbrio entre as duas equipas.

Ao intervalo Jesualdo Ferreira fez sair Tarik para a entrada de Farias na tentativa de renovar a ofensiva do FC Porto. Os azuis e brancos começaram a segunda parte mais fortes no ataque, forçando a Académica a recorrer aos lances de contra-ataque para se aproximar da baliza de Ventura. Aos 53 minutos o FC Porto cria perigo na área da Académica através de um canto, contudo a atrapalhação dos avançados acaba por matar a jogada. Era de antever a repetição da história da primeira parte, até que aos 62 minutos, Luiz Nunes faz autogolo abrindo o marcador a favor da equipa da casa. O defesa da Académica saltou com Farias para cortar o cruzamento de Lucho, mas o adiantamento de Rui Nereu acabou por ser fatal para os “estudantes” que viram assim o FC Porto ganhar vantagem. O golo parece ter despertado os campeões nacionais, que daí para a frente começaram a pressionar a Académica, encostando os comandados de Domingos Paciência à sua área. O FC Porto teve perto do 2-0 aos 67 minutos, primeiro por Hulk que forçou Rui Nereu a defender para canto, e depois por Bruno Alves, que na sequência do canto rematou ao poste. Os dragões continuaram a criar sucessivos lances de perigo na área da Académica, Rui Nereu em duas ocasiões (aos 76 e aos 79 minutos) falha a intercepção da bola, valendo ao guarda-redes a atenção dos seus defesas. Os 82 minutos trouxeram outro dos momentos do jogo, quando Hulk ultrapassa toda a defesa da Académica e remata com força para a defesa de Rui Nereu que assim se redimiu das perdidas anteriores. Farias também tenta a sua sorte aos 84 minutos, mas o jovem guarda-redes voltou a negar o golo ao avançado. A Académica volta a criar perigo aos 88 minutos através do recém entrado Madej, mas a defesa de Ventura acaba com as esperanças dos “estudantes”. O FC Porto ainda teve uma boa oportunidade de alargar o marcador, através de Sapunaru que cabeceou ao lado após livre de Guarín, aos 90 minutos. O resultado não sofreu mais alterações. O FC Porto fecha assim a fase de grupos da Taça da Liga com 6 pontos, resta agora aos dragões esperar que o Nacional não vença em Setúbal para carimbarem a passagem às meias-finais.

Ficha de jogo:

Estádio do Dragão

Árbitro: Carlos Xistra

Equipas:

FC PORTO – Ventura; Sapunaru, Stepanov, Bruno Alves e Cissokho; Lucho, Fernando e Guarín; Tarik (Farías, 46m), Hulk (Diogo Viana, 84) e Rodriguez (Tomás Costa (75m).

ACADÉMICA – Rui Nereu; Pedrinho, Orlando, Luiz Nunes e Pedro Costa; Miguel Pedro (Diogo Gomes, 67m), Nuno Piloto (Licá, 76m), Pavlovic e Cris; Sougou e Lito (Madej, 67m).

Ao intervalo: 0-0

Acção disciplinar: nada a registar

Marcadores: 1-0, autogolo de Luiz Nunes (63m);

Fim da partida: 1-0

sábado, 3 de janeiro de 2009

Comentário: De igual para igual

De igual para igual

Adriano Cerqueira


A 12.ª jornada da Liga Sagres viu os três grandes empatar a zero na despedida de 2008. Académica, Marítimo e Nacional foram os responsáveis por impedir os avançados de Sporting, FC Porto e Benfica, respectivamente, de fazerem o gosto ao pé.

A divisão de pontos, mais do que deixar tudo na mesma no topo da tabela, espelha a época dos três candidatos ao título e as poucas diferenças de desempenho entre eles. Separados apenas por três pontos, Sporting, FC Porto e Benfica são desta vez acompanhados pelo surpreendente Leixões que, após várias jornadas isolado na liderança, acabou por ceder o lugar ao Benfica. Contudo, a ténue vantagem dos encarnados apenas fortalece a ideia de que até ao momento nenhum dos grandes se pode afirmar como favorito à conquista do título.

Apesar do Benfica ser o único entre os três que ainda não sofreu derrotas na liga, os sucessivos empates não permitiram que as águias voassem para longe dos seus rivais. As indecisões de Paulo Bento em relação a Miguel Veloso e Vukcevic, aliadas à onda de lesões e castigos que assolaram o Sporting neste início de época, impediram os verde e brancos de apresentarem alguma regularidade nas exibições. Já o FC Porto acusou algum nervosismo inicial, tendo conseguido estabilizar o seu desempenho nas últimos jornadas.

Se cá dentro o impasse entre os grandes clubes ainda deixa os adeptos a sonhar com títulos, a história muda de figura ao falar das competições europeias. 2008 prometia muito com a estreia do Vitória de Guimarães na Liga dos Campeões, mas o sonho dos vimaranenses morreu em Basileia, relegando a equipa minhota para a Taça UEFA. Na competição que para o ano tem já anunciada a mudança de formato e de nome, passará a chamar-se Liga Europa, o Vitória de Guimarães fez companhia a Marítimo e Vitória de Setúbal, como o trio de equipas eliminadas na primeira ronda. O Benfica também não se aguentou no barco por muito mais tempo. Após a desastrosa derrota com o Galatasaray na Luz por duas bolas a zero e a goleada sofrida diante do Olympiacos na Grécia, os encarnados depararam-se com a hercúlea tarefa de golear por oito bolas a zero o Metalist da Ucrânia, para se manterem em prova. Num jogo que bem podia ter terminado a zero, o Benfica foi derrotado pelos ucranianos com um golo de contra-ataque mesmo ao cair do pano.

Europa não é apenas sinónimo de triste fado para o futebol português. Pela primeira vez, Portugal vai ter duas equipas nos oitavos de final da Liga dos Campeões. FC Porto e Sporting conseguiram qualificar-se categoricamente para esta fase terminando em primeiro e segundo dos respectivos grupos. Também o Sporting de Braga conseguiu passar a fase de grupos da Taça UEFA, sendo agora o único representante luso nesta competição.

Diferentes foram as sortes que sorriram aos três últimos “europeus” no sorteio das rondas a eliminar da Liga dos Campeões e Taça UEFA. O FC Porto é o que parece ter a tarefa mais facilitada. Os campeões nacionais vão medir forças com o Atlético de Madrid, na eliminatória que marcará o regresso de Maniche ao Dragão. Já o Sporting e o Braga têm uma tarefa “germânica” pela frente. Os leões voltam a encontrar o Bayern de Munich responsável pela eliminação do Sporting da Liga dos Campeões há duas épocas, enquanto os minhotos medem forças com os belgas do Standard de Liège. O mês de Fevereiro ditará assim os destinos dos representantes da armada portuguesa nas competições da UEFA.

De regresso a solo lusitano, os três grandes não vão esperar pelas uvas passas e pelo champanhe para preparar o ataque ao mercado de Inverno. Jesualdo Ferreira já sonha com reforços, enquanto Quique Flores preocupa-se em manter os jogadores do actual plantel. Para Paulo Bento restam as habituais fintas financeiras da endividada SAD leonina. Conseguirá algum dos três grandes destacar-se na luta pelo título, ou teremos um campeonato renhido até ao último segundo, com a possibilidade de um outsider como o Leixões ou o Sporting de Braga entrarem em jogo para marcar a diferença? Por enquanto saboreemos as rabanadas e os pães-de-ló, que em Janeiro há mais futebol.