quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

INESC TEC desenvolve sistema de Internet e Televisão Digital para Autocarros da STCP


SITMe é o nome do projeto que nos próximos seis meses vai circular na Linha 207 da STCP


Foto e Edição: Adriano Cerqueira
SITMe (Serviços Integrados para Transportes Metropolitanos) é o nome do sistema de Internet e televisão digital desenvolvido por um consórcio liderado pela Xarevision, no qual participaram o INESC TEC e as Faculdades de Engenharia (FEUP) e de Economia (FEP) da Universidade do Porto, para os autocarros da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP). Este sistema já se encontra disponível para os utilizadores na linha 207 (Campanhã/Mercado da Foz) da STCP.

Adriano Cerqueira

Com uma duração de seis meses, o SITMe vai estar presente em 11 autocarros e, através de dois ecrãs instalados nos veículos, vai disponibilizar notícias, informação e entretenimento aos passageiros. O Semanário Grande Porto e o Porto Canal são os meios responsáveis por disponibilizar informação atualizada sobre a região do Grande Porto.

Múltiplas tecnologias garantem conectividade permanente


Este equipamento de comunicações para transportes públicos é capaz de usar várias tecnologias de redes sem fios tais como 3G, Wi-Fi ou WiMax. O equipamento escolhe de forma inteligente e cognitiva a tecnologia que garanta maior largura de banda (bit/s) em cada ponto do percurso da linha de autocarros, oferecendo uma extensa capacidade de comunicação aos passageiros do autocarro.

A experiência dos utilizadores dos transportes públicos da área metropolitana do Porto sai assim melhorada porque este sistema de comunicações garante um acesso à Internet com largura de banda máxima em todos os pontos do percurso, sendo capaz de atingir débitos na ordem dos 40 Mbit/s. Além dos serviços de Internet e TV Digital para os utilizadores, o SITMe pode ainda vir a ser usado na implementação de serviços de videovigilância ou de serviços de apoio ao condutor do veículo, contribuindo assim para uma gestão mais segura e eficiente da rede de transportes públicos.

Intermodalidade no horizonte do SITMe


A arquitetura de comunicações desenvolvida encontra-se preparada para que no futuro possa incluir metros e táxis, permitindo que os passageiros usem o serviço de forma contínua durante uma viagem que inclua diferentes tipos de transporte.

O projeto SITMe teve início em Setembro de 2009, desde então foi desenhada a arquitetura do sistema atual e desenvolvido todo o software que está neste momento em funcionamento nos autocarros. Com menos de um mês de operação, o piloto conta já com milhares de utilizadores do serviço de acesso à Internet a bordo dos autocarros e com dezenas de GByte de tráfego transferidas.

SITMe é base para novos projetos de redes sem fios


Tânia Calçada, investigadora do INESC TEC envolvida no SITMe, afirma que este projeto abre as portas para novas iniciativas no âmbito das redes sem fios. “Após os seis meses de duração do piloto, o SITMe chegará ao fim. Mas, na área de redes sem fios da Unidade de Telecomunicações e Multimédia do INESC TEC vão continuar os trabalhos de investigação no âmbito das redes de comunicações sem fios vocacionadas para transportes. A experiência e o conhecimento adquiridos durante este projeto deram já origem a novas ideias que serão exploradas em novos projetos de I&D e teses de doutoramento”, salienta.

O SITMe é uma iniciativa QREN, financiada pela  União Europeia - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional através do PO Norte, que recebeu igualmente apoios da ELO – Sistemas de Informação, da ISGUS (ELO Ibérica S.A.), da ONI e da empresa Porto Digital.

Apresentado no passado dia 22 de dezembro nas instalações do INESC TEC, o SITMe estará disponível durante os próximos seis meses de forma gratuita para os utentes da linha 207 da STCP.

Entrevista a Hélder Fontes (UTM)


Foto: Adriano Cerqueira
BIP - Como surgiu a ideia para este projeto?

Hélder Fontes - A ideia deste projeto surgiu em 2005 durante a definição das teses de doutoramento dos meus colegas Pedro Fortuna e Gustavo Carneiro.

BIP - Em que âmbito se insere a sua dissertação no contexto do SITMe?

HF - A minha dissertação pretende melhorar o desempenho do sistema de comunicações desenvolvido neste projeto usando o conhecimento e a experiência adquiridos.

BIP - Em que fase se encontra o desenvolvimento da dissertação?

HF - Neste momento encontra-se concluída a fase de definição do problema que pretendo abordar. Estou agora numa fase de recolha de dados que caracterizam a operação do protótipo real do SITMe, constituído pelos 11 autocarros da linha 207 da STCP. Esta informação vai ajudar-me a validar as minhas contribuições.

BIP - Quais os resultados esperados?

HF - Pretendo, no final da minha dissertação, ter criado uma nova geração do sistema de comunicações atualmente usado no SITMe. Esta versão deverá ser mais eficiente a tirar partido das várias redes multi-tecnologia existentes, traduzindo-se num melhor desempenho da rede veicular oferecida e, por conseguinte, numa melhor qualidade de serviço para os seus utilizadores.

Fonte Original: BIP 123

TriMARES premiado em ano de ouro para a Robótica do INESC TEC


ROBIS é agora a maior unidade de Robótica do Norte do País


Edição de Imagem: Adriano Cerqueira
Com elementos cuja atividade remonta a 1993 com os primeiros passos registados em diversas áreas como o Futebol Robótico e a robótica submarina, a Unidade de Robótica e Sistemas Inteligentes (ROBIS) do INESC TEC tem-se afirmado como uma das unidades com maior índice de crescimento dentro do universo INESC TEC. Para António Paulo Moreira, um dos coordenadores da ROBIS, a afirmação desta unidade tem demonstrado bons resultados: “O crescimento da ROBIS é muito positivo, quer em termos de número de elementos, quer em termos de qualidade dos recursos humanos e das condições de trabalho. Passámos de nove elementos em 2009 para mais de 50 em 2012 com proveitos na ordem de um milhão de euros em 2012. Atualmente estão em curso na Unidade 28 teses de doutoramento e 30 teses de mestrado.”

Adriano Cerqueira

A ROBIS foi oficialmente estabelecida em 2009 como fruto da colaboração entre diferentes docentes e investigadores do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) que desenvolviam as suas atividades de investigação na área da Robótica e Sistemas Inteligentes. Inicialmente a unidade estava dividida entre a Robótica terrestre (veículos terrestres autónomos e manipuladores) e a Robótica “aquática” (barcos autónomos e submarinos autónomos), tendo a integração no INESC TEC levado a um maior aumento da cooperação entre os investigadores.

Crescimento contínuo com aposta na internacionalização


Em Fevereiro de 2011 a ROBIS deu um passo importante no crescimento da sua atividade através da fusão entre os grupos de robótica do INESC TEC e do ISEP (Instituto Superior de Engenharia do Porto) – Grupo de Robótica e Sistemas Inteligentes (ROBIS) e Laboratório de Sistemas Autónomos (LSA), respetivamente. A nova face da Unidade de Robótica traçou como objetivo ganhar uma dimensão internacional, através da aposta em mercados em forte expansão. Um passo estratégico daquela que é agora a maior unidade de robótica do Norte do país. A fusão entre os grupos de robótica do INESC TEC e do ISEP teve ainda como objetivo otimizar recursos, incrementar sinergias e fortalecer a capacidade científica e tecnológica de ambas as instituições.

Associar a nível internacional a robótica ao nome INESC TEC é a principal meta para o futuro da ROBIS. “No futuro pretende-se melhorar o networking internacional, nomeadamente, no imediato com a Europa e com a Austrália e através do reforço dos contactos já existentes com o Brasil. O objetivo é que o INESC TEC seja internacionalmente reconhecido e associado à Robótica. Pretende-se também reforçar os recursos humanos com contratações e com a criação de bolsas para mestres, doutorados e técnicos”, afirma António Paulo Moreira.

Neste momento a ROBIS está presente em cinco projetos Europeus, dos quais se destacam o projeto ICARUS e o projeto Increase Autonomy for AUVs – Unmanned Maritime Systems (UMS) da European Defence Agency (EDA). O projeto ICARUS, realizado em conjunto com a Marinha Portuguesa, tem como objetivo desenvolver sistemas marítimos autónomos para apoio de atividades de busca e de salvamento em caso de catástrofe. As ferramentas robóticas que estão a ser desenvolvidas vão ser dotadas com um grau de autonomia que as torne capazes de encontrar sobreviventes humanos de catástrofes e assim libertar as equipas de salvamento das tarefas mais difíceis e perigosas. Já o UMS está a ser desenvolvido para a EDA com o objetivo de aumentar a capacidade de veículos subaquáticos autónomos em aplicações na área da defesa naval, nomeadamente, na deteção de minas marinhas e respetivas contras-medidas.

Prémio Inovação da Exame Informática distingue TriMARES


A evolução da ROBIS foi recentemente premiada com o reconhecimento do submarino robô TriMARES na categoria de Inovação dos Prémios “O Melhor de 2011” da revista Exame Informática. Estes prémios têm como objetivo dar a conhecer pessoas e empresas que se distinguem no desenvolvimento de novas tecnologias a nível nacional.

O TriMARES é um robô de monitorização de meios aquáticos que foi recentemente exportado para o Brasil, num projeto em cooperação com a Universidade Federal de Juiz de Fora, com o objetivo de ser usado para examinar o fundo da albufeira do Lajeado, recolher dados sobre a qualidade das águas e verificar as condições do paredão da barragem. Este equipamento de monitorização é capaz de inspecionar estruturas de barragens e o assoreamento das bacias, com grau de precisão na ordem dos centímetros e em tempo real. O robô TRIMARES é uma evolução do submarino MARES também desenvolvido pela equipa do INESC TEC e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e que tem sido usado em campanhas de monitorização ambiental desde 2007.

Para António Paulo Moreira este prémio é “um reconhecimento pela excelente qualidade da investigação desenvolvida na Unidade, geradora de aplicações e equipamentos inovadores”. “Um prémio mais do que merecido para os intervenientes”, acrescenta.

Semantic Pacs com Menção Honrosa na categoria de Software


Além do TriMARES também o projeto Semantic Pacs foi galardoado com uma Menção Honrosa na categoria de Software. Desenvolvido pela Unidade de Telecomunicações e Multimédia (UTM) do INESC TEC, em conjunto com uma equipa da FEUP, o Semantic Pacs permite uma análise automatizada de mamografias. O processo é feito por comparação tendo como base casos similares, sendo que o software analisa e valida automaticamente os casos em que o resultado do diagnóstico do cancro da mama é claro. Este sistema permite uma fiabilidade de 100% na deteção de tumores malignos. Reduzindo o tempo de espera pelo diagnóstico, e consequentemente o desgaste emocional das pacientes, este projeto representa um avanço significativo na deteção do cancro da mama.

A entrega dos prémios decorreu durante a conferência “O Melhor do Portugal Tecnológico”, organizada pela Exame Informática e pelo Expresso, que teve lugar no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, no dia 5 de Dezembro.

O Prémio “O Melhor de 2011” na área da Inovação para o submarino robô TriMARES, vem galardoar da melhor forma um ano de forte crescimento para a Unidade de Robótica e Sistemas Inteligentes. A ROBIS reforça assim a sua presença na área da robótica, consolidando-se como uma unidade de referência da robótica portuguesa, com reconhecimento a nível internacional.

Em Discurso Direto


Foto: Adriano Cerqueira
Edimar Oliveira, Leonardo Honório e Pedro Barbosa, Professores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e colaboradores do projeto TriMARES no Brasil 

BIP - O que estão a achar da vossa participação no INESC Porto?

Pedro Barbosa e Edimar Oliveira - A interação com os pesquisadores do INESC Porto e da FEUP está sendo muito boa. Estamos tendo a oportunidade de observar e participar em estudos realizados pela unidade  de Robótica e Sistemas Inteligentes, particularmente aqueles ligados ao OceanSys Lab. Esta parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) vai impulsionar o nosso grupo de pesquisa na área de Robótica e Automação Industrial.

BIP - Que mais-valias podem retirar desta experiência?

PB&EO -  Em 2009 foi criado na UFJF o curso de Graduação e a Linha de Pesquisa na Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) na área de Robótica e Automação Industrial. Portanto, esta nossa participação na ROBIS vem ao encontro da nossa intenção de iniciar esse novo curso a partir de conhecimentos e pesquisas consolidadas e premiadas mundialmente. 

BIP - Qual o impacto do TriMARES? Como está a correr a prestação do submarino robot no Brasil?

PB&EO - O impacto do TriMARES está acontecendo nas esferas regional e nacional. Na UFJF o TriMARES está desempenhando um papel muito positivo para a visibilidade do novo curso motivando o ingresso de novos alunos e investigadores para o grupo de Robótica. Na esfera nacional o TriMARES deverá iniciar as tarefas de prospeção e investigação de assoreamento em barragens e lagos de usinas hidrelétricas no Brasil. Além disso, pesquisadores do Centro de Pesquisa da Petrobras (CENPS) em visita ao laboratório demonstraram bastante interesse no desenvolvimento desta tecnologia para prospeção em águas profundas.

Fonte Original: BIP 122

domingo, 23 de dezembro de 2012

Sistemas inovadores de logística interna são aposta do INESC TEC


Otimizar a produção de produtos customizados é o desafio do PRODUTECH


Edição Imagem: Adriano Cerqueira
A Unidade de Engenharia de Sistemas de Produção (UESP), em conjunto com a Unidade de Robótica e Sistemas Inteligentes (ROBIS) do INESC TEC, está a desenvolver um sistema avançado de gestão da logística interna para produtos customizados capaz de gerir diferentes sistemas de movimentação e armazenamento temporário. Esta iniciativa, designada por “PPS3 - Gestão de operações e logística para produtos customizados” e desenvolvida no âmbito do PRODUTECH – Pólo das Tecnologias de Produção, tem também como objetivos o desenvolvimento de um sistema inovador de posicionamento e movimentação de veículos autónomos guiados (AGV - Automated Guided Vehicle), e a integração entre sistemas logísticos e sistemas de gestão empresarial.

Adriano Cerqueira

Com um orçamento de cerca de 280 mil euros, esta atividade tem como objetivo a conceção e o desenvolvimento de sistemas inovadores de logística interna com elevada flexibilidade. Estes sistemas serão baseados em novos módulos de logística interna e mecanismos de movimentação autónomos, capazes de movimentar simultaneamente produto em curso de fabrico e materiais, entre postos de trabalho com rotas de fabrico distintas. Segundo Rui Rebelo da UESP, responsável pelo projeto, o sistema resultante desta atividade será ainda testado nas fábricas ADIRA, produtora de máquinas-ferramentas, e na EFACEC.

Rotas de fabrico mais eficientes para produtos customizados


Melhorar os sistemas atuais de localização, permitindo que os sistemas autónomos se possam movimentar em ambientes onde os sistemas tradicionais não funcionam, ou são demasiado dispendiosos para determinadas aplicações, são os principais desafios desta iniciativa.

Caracterizada por pequenas quantidades, diversas rotas de fabrico em produção simultânea e uma grande diversidade de matérias-primas a distribuir pelos postos de trabalho no momento e na quantidade certa, a produção de produtos customizados afirma-se como uma das principais problemáticas que este projeto procura resolver.

A eficiência de um sistema de produção de produtos customizados está diretamente relacionada com a flexibilidade do sistema de logística interna e dos setups mais fáceis de efetuar, envolvidos na troca de produtos entre os equipamentos produtivos.

Os sistemas logísticos têm assim um papel fundamental na gestão da complexa rede de fluxos de materiais e de informação, assim como na movimentação e armazenamento da grande variedade de produtos em curso de fabrico e na gestão simultânea de diversas rotas de produção.

Melhorar a flexibilidade dos sistemas logísticos é o desafio


A rigidez dos sistemas atuais de logística interna faz com que as empresas não possam evoluir os seus mecanismos de produção para permitirem a oferta de uma maior gama de produtos customizados. Para resolver esta problemática, esta atividade centra-se na conceção e no desenvolvimento de sistemas capazes de movimentar simultaneamente produto em curso de fabrico e materiais, entre postos de trabalho, com rotas de fabrico distintas e dinâmicas.

Este projeto desenvolvido no âmbito do PRODUTECH visa atingir a flexibilidade total nos sistemas de logística interna, ao permitir que a movimentação do produto em curso de fabrico entre os diversos postos de trabalho e armazéns não tenha limites de rotas de ligação ou de meios de movimentação. Diminuir os tempos de movimentação em relação aos tempos de produção será um fator determinante para a obtenção da flexibilidade total do sistema.

De acordo com Rui Rebelo, este projeto vai desenvolver “um conjunto de módulos logísticos altamente flexíveis, tendo por base AGVs com novo sistema de localização, com aplicação em toda a indústria cuja produção se foca em produtos customizados e numa grande variedade de artigos em produção simultânea”.

Veículos Autónomos são a solução


O recurso a veículos autónomos guiados (AGVs) de baixo custo, capazes de movimentar os produtos ao longo do processo de fabrico entre os postos de trabalho e os armazéns, é uma das soluções propostas para melhorar a flexibilidade do sistema.

Atualmente existem AGVs de diversas dimensões e com sistemas de posicionamento distintos, aplicados a operações que tipicamente estão desacopladas umas das outras, mas com custos e especificações não apropriadas à situação abordada neste projeto.

O “PPS3 - Gestão de operações e logística para produtos customizados” pretende assim melhorar os sistemas de posicionamento atual de forma a tornar os AGVs ainda mais livres e autónomos na sua capacidade de movimentação. Estes sistemas de posicionamento deverão permitir ainda uma flexibilidade suficiente para serem utilizados na carga de camiões com dimensões diversas e sem marcações de guiamento.

Este novo sistema logístico de elevada flexibilidade será gerido segundo uma lógica de serviço tendo na sua configuração final diversos componentes logísticos tais como AGVs, tapetes de movimentação, manipuladores, assim como uma framework genérica de gestão, integração e otimização de todos os componentes logísticos disponíveis na empresa.

Nova framework permite acelerar o processo de fabrico


A framework de gestão que será desenvolvida vai permitir uma visão global dos recursos logísticos disponíveis na empresa. Por exemplo, mediante um pedido de movimentação lançado por um posto de trabalho ao terminar uma operação ou por um supermercado solicitando a reposição de um artigo, o sistema de gestão global será capaz de determinar qual o melhor meio logístico para proceder à execução do pedido.

Liderada por Rui Rebelo (UESP) e António Paulo Moreira (ROBIS), a equipa da atividade 2 do PPS3 do PRODUTECH é ainda composta por Paulo Costa, Hélio Mendonça, Héber Sobreira e Miguel Pinto da ROBIS, e por António Correia Alves, Pedro Ribeiro e Paulo Sá Marques da UESP.

O novo conceito de logística interna de elevada flexibilidade desenvolvido pelo INESC TEC vai possibilitar a produção de produtos customizados de uma forma eficiente, ao permitir a livre movimentação de todo o produto pelo seu curso de fabrico. Este projeto visa assim eliminar as operações que não acrescentam valor ao produto final, otimizando os recursos produtivos na produção customizada com recurso a rotas de fabrico distintas, possibilitando assim uma reformulação do layout fabril sem ser condicionado pelo sistema logístico já existente.

O INESC TEC promove o desenvolvimento de projetos no âmbito do PRODUTECH, inserido num universo de 66 entidades promotoras ligadas a este Pólo. A “PRODUTECH – Associação para as Tecnologias de Produção Sustentável” é a principal entidade promotora com o objetivo de implementar iniciativas de eficiência coletiva que visem a inovação, a qualificação e a modernização das empresas produtoras de tecnologias de produção.

Fonte Original: BIP 121

sábado, 22 de dezembro de 2012

INESC TEC com presença reforçada na Investigação para a Saúde


20 Projetos da Área da Saúde apresentados na Mostra Health Cluster


Edição Imagem: Adriano Cerqueira
O INESC TEC esteve presente na Mostra Health Cluster Portugal, que se realizou no passado dia 27 de setembro no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, em Braga.

Adriano Cerqueira

Esta iniciativa teve como objetivo funcionar como uma plataforma para a divulgação de invenções e tecnologias na área da saúde, promovendo um ponto de encontro entre instituições de I&D, universidades, gabinetes de transferência de tecnologia, hospitais e empresas ligados ao Health Cluster Portugal,  e um fórum para a apresentação das tecnologias mais inovadoras desenvolvidas em Portugal na área da saúde.

Nesta Mostra, o INESC TEC apresentou mais de 20 projetos ligados à saúde e bem-estar, estando representado pela quase totalidade das suas Unidades e pela empresa spin-off Tomorrow Options.

Smart Health, uma aposta ganha


Com a missão de desenvolver atividades de I&D competitivas a nível internacional, e de agir como uma interface eficaz entre universidades, empresas, administração pública e sociedade, o INESC TEC procura elevar a qualidade da ciência e da investigação feita em Portugal para aumentar a competitividade das suas empresas a nível internacional através da aposta em investigação de relevância social com um grande impacto económico.

A Smart Health surge então como um dos maiores desafios. Com um total de 20 projetos desenvolvidos na área da saúde, o INESC TEC reforça a sua presença numa das áreas com maior impacto a nível social e económico.

Sensores de Fibra Ótica


Na aplicação de sensores de fibra ótica na saúde destacam-se os projetos Hybrid, Oxygen e SENRONS. O Hybrid é um dispositivo optoelectrónico de microfluídos para análise e diagnóstico de células, capaz de diagnosticar doenças como a Malária e a Babesiose, enquanto o Oxygen recorre a sensores de fibra ótica para medições distribuídas de temperatura e de oxigénio dissolvido no sangue, com o objetivo de facilitar as medições destes parâmetros durante ressonâncias magnéticas.

O SENRONS também recorre a sensores de fibra ótica para determinar espécies reativas de oxigénio (ROS) e de nitrogénio (RNS) em sistemas biológicos. Estes sensores podem ser usados para medir as espécies oxidadas para estudos in vivo do stress oxidante, através de uma tecnologia baseada em nanopartículas luminescentes capazes de discriminar entre diferentes espécies reativas de oxigénio e de nitrogénio.

Medição e Imagem Ótica


FIBDOSE, FLUOROCT e HIRESOMI são os projetos INESC TEC na área da medição e imagem ótica com aplicações no diagnóstico clínico. O FIBDOSE consiste em dosimetros para dosimetria in vitro e in vivo para radioterapia e braquiterapia externas. Dispositivos dosimétricos proporcionam um controlo em tempo-real do tratamento de radioterapia, minimizando e otimizando a exposição do paciente à radiação ionizada. O FLUOROCT baseia-se em mapeamento de distribuição de doses e simulações Monte Carlo em CT-fluoroscopia no transporte de radiação. Os resultados deste projeto poderão melhorar a proteção do paciente e do pessoal de apoio quando expostos a radiação. Já o HIRESOMI (HIgh RESolution Optical Measurement and Imaging) usa tecnologias óticas inovadoras para medições não-invasivas com recurso a ótica de alta resolução.

Soluções portáteis de monitorização


O INESC TEC está também presente na reabilitação e fisioterapia através dos projetos PROLIMB, W2M2 e BIOSWIM. No PROLIMB recorre-se a sensores eletrónicos para a deteção e profilaxia de patologias dos membros inferiores, através da medição de variáveis cinemáticas, como os movimentos lineares e angulares das coxas e das pernas, e dos sinais mioeléctricos associados à atividade dos músculos mais importantes envolvidos na locomoção. O seu posterior processamento e análise poderá ajudar os médicos a tomar decisões acerca da terapia. Este projeto visa obter uma solução de captura sem fios destes sinais, mesmo em pacientes com sérias deficiências ou inaptidões físicas, uma vez que o sistema será integrado numa plataforma de tecido técnico vestível.

O W2MW (Wireless Wearable Modular Monitoring System) é um sistema sem-fios de assistência na reabilitação, simples, low-cost e multifuncional baseado em componentes que podem ser montadas e geridas por médicos e terapeutas numa plataforma inovadora. Este projeto tem como objetivo o desenvolvimento de novos modelos e a criação de standards capazes de alterar a dinâmica terapeuta-paciente. Clínicas e hospitais podem otimizar os seus recursos com esta fonte complementar de terapia. Já o BIOSWIM é um sistema de interface corporal baseado em monitorização integrada que pode ser usada pelo paciente. Uma solução universal para monitorizar sinais fisiológicos e biomédicos de um nadador sob condições de treino normais tanto dentro como fora de água, com possíveis aplicações na hidroterapia.

Integração de Sistemas Eletrónicos e Optoeletrónicos


SMARTBIO, BIOMOTION e BIOPELVIC são também apostas nas áreas da reabilitação física e próteses médicas. O SMARTBIO tem como objetivo a aquisição de dados sobre a folga de próteses de fémures e ancas. A artroplastia total da anca junta a prótese da anca ao osso com material biocompatível, com um rácio alto de sucesso. O SMARTBIO estuda a fiabilidade de um sistema laboratorial que pode identificar o início de fraturas no manto de cimento do osso que possa aparecer à medida que o osso é decomposto e a articulação é desgastada ao longo do tempo. Um método de monitorização não-invasivo do nível de deslocamento de próteses de ancas com sensores de fibra ótica de Bragg embutidos com sistemas de comunicação sem-fios que definem metodologias de prevenção clínica e de correção. 

O BIOMOTION foca-se na perceção de locomoção biológica, psicofísica integrada, neurofisiologia e modelação computacional. Este projeto irá ajudar a compreender os aspetos funcionais da visão, extrair dados relevantes para a visão artificial e avaliar a possibilidade de manufatura de estruturas óticas deste tipo.

O BIOPELVIC é um estudo de doenças do soalho pélvico feminino. Prolapso vaginal, incontinência urinária e fecal e outras anomalias relacionadas com os sistemas urinário e gastrointestinal estão todas ligadas aos músculos do soalho pélvico e afetam 40% da população entre os 45 e os 85 anos. Através de ultrassom, processamento de imagens e reconstrução 3D é criado um modelo anatómico com a dinâmica cinemática e as características da cavidade pélvica de forma a ajudar os médicos a tomar decisões sobre o diagnóstico e tratamento de trauma para os pacientes e seus familiares.

Computer Vision e Reconhecimento de Padrões


Comparação estética e diagnóstico do Cancro da Mama são os objetivos dos projetos BCCT e Semantic PACS. BCCT.core (Breast Cancer Conservative Treatment) é um sistema médico gerido por computador com o objetivo de avaliar de forma objetiva e automática os resultados estéticos do tratamento conservador de cancro da mama para comparar resultados e melhorar a prática nesta área.

Intitulado Semantic PACS, este sistema inovador permite uma fiabilidade de 100% na deteção de tumores malignos. Reduzindo o tempo de espera pelo diagnóstico, e consequentemente o desgaste emocional das pacientes, este projeto representa um avanço significativo na deteção do cancro da mama.

Ainda na área de diagnóstico do Cancro da Mama, o INESC TEC desenvolveu também o MammoClass: uma ferramenta capaz de estimar a malignidade de nódulos em mamografias, com base em atributos BIRADS (Breast Imaging and Report Data System). A ferramenta encontra-se disponível online podendo ser usada por médicos e radiologistas como um instrumento adicional de diagnóstico.

Computação Gráfica e Ambientes Virtuais para Ambient Assisted Living


CAALYX, eCAALYX, CAALYX-MV, AAL4ALL, ICT4Depression e LUL abrem a porta ao desenvolvimento de tecnologia para Ambient Assisted Living no apoio a idosos e a pessoas com necessidades de acompanhamento. O CAALYX - Complete Ambient Assisted Living Experiment apresenta um sistema que oferece uma maior autonomia aos idosos, através da oferta de serviços de acompanhamento remoto de forma transparente e não intrusiva, permitindo-lhes continuar a viver em suas casas.

Já o eCAALYX é um projeto do programa europeu AAL Joint Programme cujo objetivo é desenvolver um sistema para acompanhamento ambulatório de utilizadores com múltiplas doenças crónicas (comorbilidade). Por sua vez, o CAALYX-MV procura a validação para o mercado da tecnologia CAALYX. O objetivo é prolongar o tempo de permanência segura em casa e aumentar a autonomia e a independência dos idosos. O sistema CAALYX monitoriza então o estado de saúde e o bem-estar social dos utilizadores, fornecendo as ferramentas e os serviços necessários para suportar as atividades diárias, com enfoque em parâmetros como o conforto, a segurança, a eficiência energética e a comunicação.

O projeto AAL4ALL pretende criar um ecossistema que potencie o desenvolvimento de soluções comerciais na área do Ambient Assisted Living (AAL) em Portugal. O principal objetivo do AAL4ALL é criar um quadro que facilite o desenvolvimento de tecnologias que permitam reduzir os custos de apoio e melhorar a qualidade de vida dos idosos portugueses.  

Ainda na área do apoio à população idosa, o LUL (Living Usability Lab) apresenta-se como um projeto para redes de nova geração que disponibiliza serviços e tecnologias inovadores para melhorar a qualidade de vida de cidadãos idosos e de pessoas com necessidades especiais de forma a promover um envelhecimento ativo.

Outro projeto, desta vez ligado à depressão, é o ICT4Depression. Este projeto tem como objetivo ajudar as pessoas que sofrem de depressão através de um sistema que fornece de forma automática os cuidados de que estas necessitam. Ao contrário dos outros sistemas já existentes, este projeto envolve o uso de biosensores não intrusivos, ligados ao corpo do paciente. Estes sensores fornecem dados sobre ritmos cardíacos e outras informações fisiológicas vitais através de bluetooth para o telemóvel do paciente, ou através da internet, com sugestões de ações que permitam responder às necessidades do paciente.

Gestão de Informação e de Sistemas no combate ao VIH/SIDA


SI.VIDA é o nome do projeto INESC TEC com a finalidade de desenvolver um sistema informático requerido pela Coordenação Nacional para a Infeção VIH/SIDA– Ministério da Saúde (CNSIDA), passível de ser distribuído e utilizado por todas as unidades de saúde que seguem e tratam pessoas infetadas pelo VIH/SIDA. Para além de contribuir para a uniformização de processos clínicos, o Sistema Informático do VIH/SIDA (SI.VIDA) deverá possibilitar uma transferência de dados da forma  mais transparente possível e, em última instância, uma melhor avaliação e gestão dos recursos envolvidos. Este sistema já está a ser testado em vários hospitais, nomeadamente: Hospital de São João (Porto), Egas Moniz (Lisboa), Hospital de Faro, Hospital de Vila Nova Gaia e Hospital Universitário de Coimbra.

Otimização e apoio à decisão


KEP (New models for enhancing the kidney transplantation process) é o projeto INESC TEC com o objetivo de investigar e desenvolver novos métodos para facilitar e melhorar decisões associadas a ações de transplantes de rim com dadores vivos. O KEP apresenta-se como um importante projeto de gestão e planeamento na área da saúde pública, através do desenvolvimento de métodos de otimização avançados para a resolução do problema de emparelhamento de doentes renais com dadores vivos. Este mecanismo de troca entre pares pode ser definido como troca de rim emparelhada (Paired Kidney Exchange, PKE): transplante entre pares dador-paciente, em que cada paciente recebe o rim do dador de outro par. Para extrair o benefício coletivo máximo para um conjunto de pares dador-paciente será necessário determinar a solução que maximiza, por exemplo, o número de transplantes possíveis, respeitando restrições de compatibilidade entre outras.

Também é de destacar o WalkinSense desenvolvido pela empresa spin-off Tomorrow Options. Em cada ano 15% dos diabéticos no Reino Unido desenvolvem uma úlcera no pé, e para 15% deles a amputação é a única opção. O WalkinSense é um dispositivo de análise médica que fornece dados quantitativos e qualitativos sobre a pressão plantar dinâmica e sobre a atividade do utilizador. Direcionado para atividades clínicas este projeto fornece informação para a prescrição e avaliação de órteses e a comparação dos testes dos pacientes para avaliar a sua evolução. O WalkinSense pode ser usado dentro de um ambiente clínico com destaque para as áreas da ortopédica, neurologia, cardiologia, pediatria, reabilitação e aplicações desportivas.

Otimização, Data Mining e Simulação


Por fim, destaca-se o ORPlan (An integrated framework for operating room capacity planning and scheduling), projeto INESC TEC que tem como objetivo desenvolver um quadro integrado para planeamento e calendarização da capacidade de uma sala de operações. Este projeto procura construir um suporte para responder ao problema da otimização da sala de operações, combinando data mining avançada com otimização e técnicas de simulação. Este protótipo de software foi implementado para manualmente calendarizar o planeamento de operações.

Estes projetos reafirmam o crescimento do INESC TEC no desenvolvimento de aplicações para a área da saúde, destacando a importância do investimento nestas tecnologias para melhorar a qualidade de vida de pacientes, idosos, doentes crónicos e pessoas com mobilidade reduzida.

Fonte Original: BIP 120

domingo, 16 de dezembro de 2012

MERGE com nota positiva ao fim do primeiro ano

INESC Porto dá passo importante na massificação do carro elétrico


Edição Imagem: Adriano Cerqueira
Cumprido o primeiro ano, o projeto MERGE (Mobile Energy Resoures for Grids of Electricity), do qual o INESC Porto é líder científico, deixou impressões claramente positivas junto da Comissão Europeia depois da mais recente avaliação. Após o primeiro ano de atividade é de destacar o grande volume de material que foi produzido neste período, e a assinalável capacidade de resposta dos parceiros envolvidos.

Adriano Cerqueira

Inclusão do carro elétrico próximo de se tornar uma realidade

Um dos pontos de maior relevo é o empenho do consórcio em proceder à avaliação dos impactos do desenvolvimento da mobilidade eléctrica nos sistemas eléctricos de países como Portugal, Espanha, Grécia, Reino Unido e Alemanha. De destacar também a identificação de soluções definidas pelas indústrias eletroquímica e automóvel para a construção de diferentes tipos de baterias para serem utilizadas em veículos elétricos. Realce ainda para o desenvolvimento de interfaces avançados para ligação das baterias dos veículos elétricos às redes elétricas, dotados de capacidade de resposta local e de capacidade de comunicação com sistemas de gestão de alto nível, permitindo um carregamento controlado e inteligente das baterias. As estratégias de gestão e controlo de carregamento identificadas foram posteriormente integradas em diferentes ferramentas de análise de sistemas elétricos de energia, com o propósito de avaliar o impacto que os carregamentos de baterias poderão causar nos diferentes segmentos do sistema elétrico: Distribuição, Transporte e Produção.

De salientar os estudos associados ao impacto da mobilidade elétrica no funcionamento em regime dinâmico do sistema elétrico, onde se tem procurado avaliar a contribuição do veículo elétrico para o controlo de frequência primário, secundário e terciário, bem como avaliar da possibilidade de, explorando a flexibilidade do controlo da carga veículo elétrico, permitir integrar maiores volumes de produção renovável, com características de variabilidade, sem que a robustez de exploração do sistema seja comprometida, o que muito agradou à comissão de avaliação.

Cooperação internacional é a chave

Os dois anos de duração prevista do MERGE, que conta com João Peças Lopes como Coordenador Científico do projeto, obrigam a uma forte interação entre os parceiros do projeto para criar sinergias e organizar um sentido de orientação comum. Mauro Rosa, coordenador do MERGE na Unidade de Sistemas de Energia (USE) do INESC Porto, classifica como muito positiva a relação do INESC Porto com as restantes empresas e centros de investigação e salienta ainda a participação da empresa do ramo automóvel, RICARDO. “A capacidade de resposta da RICARDO tem sido uma mais-valia ao projeto, na qual todos os parceiros estão a aprender e a poder trocar experiências”, refere.

“Outro destaque fica por conta do interesse dos TSOs (Transmission System Operator) e DSOs (Distribution System Operator) - Iberdrola, REE - Red Electrica de España, REN - Rede Elétrica Nacional e PCC – Operador da Rede Elétrica da Grécia - envolvidos, principalmente no seguimento da avaliação do impacto que os veículos terão sobre a operação dos sistemas elétricos em um futuro próximo”, acrescenta o investigador.

Preparação das Redes Elétricas é o grande desafio do MERGE

O MERGE é o maior projeto de investigação com financiamento da UE na área da mobilidade eléctrica, visando preparar o sistema elétrico europeu para a massificação da utilização de veículos automóveis elétricos. Com um orçamento de 4,5 milhões de euros, o MERGE apresenta como principal objetivo encontrar soluções que permitam explorar a infraestrutura existente no sistema elétrico, minimizando a necessidade do seu reforço, de modo a evitar sobrecustos que teriam que ser suportados pelos utilizadores dos veículos elétricos, criando barreiras ao desenvolvimento do conceito.

A necessidade de reduzir as emissões dos gases poluentes e a futura escassez de petróleo devem conduzir à massificação da utilização de veículos elétricos. Consequentemente, a introdução deste novo elemento de consumo no nosso quotidiano tornará necessária a procura de soluções para que a rede elétrica esteja preparada para os receber.

Sistema “inteligente” é a solução

A viabilidade deste novo paradigma de mobilidade assenta no incentivo do carregamento noturno das baterias, por corresponder aos períodos em que a rede elétrica está menos carregada, e de preferência quando existir também disponibilidade de recursos energéticos renováveis para a produção de eletricidade. Enquanto líder científico do projeto MERGE, o INESC Porto está a contribuir para o desenvolvimento de um sistema “inteligente”, a funcionar em ambiente de mercado, que adapte os carregamentos das baterias dos veículos elétricos à disponibilidade dos recursos energéticos, tomando em conta as limitações técnicas das infraestrutura das redes, considerando as características dos sistemas elétricos europeus.

O eventual congestionamento da rede e as dificuldades dos centros produtores em alimentarem os acréscimos de consumo de eletricidade (que podem resultar da ligação dos veículos elétricos à rede) constituem barreiras a esta mudança de paradigma. O anoitecer de um dia frio de inverno é um exemplo de uma situação destas: na rua, o sistema de iluminação pública é ligado mais cedo; em casa, luzes e aquecimento juntam-se ao fogão, televisão, etc.. Imaginando que, por essa altura do dia, os condutores dos veículos elétricos ao retornarem do trabalho para casa, ligam o carro à tomada para carregar as baterias das viaturas, a simultaneidade destes consumos provoca uma situação em que o sistema não é capaz de dar resposta à totalidade das necessidades do consumo de eletricidade.

MERGE recorre a renováveis para carregar veículos elétricos

São exatamente estas situações que o projeto MERGE pretende resolver, ao mesmo tempo que se propõe viabilizar economicamente a implementação da infraestrutura que permite o abastecimento em eletricidade dos veículos elétricos na Europa. Uma das linhas orientadoras do projeto em que o INESC Porto participa consiste em minimizar a necessidade de investimento no reforço das infraestruturas da rede elétrica existente, bem como do parque produtor de energia elétrica. Evitam-se, desta forma, também um conjunto de sobrecustos que acabariam por ter que ser suportados pelos utilizadores dos veículos elétricos. Maximizar a utilização de energias renováveis para o carregamento das baterias dos veículos elétricos é outro dos objetivos do MERGE.

Esta nova realidade implica a emergência de novos modelos de negócio no mercado energético: substituição rápida/carregamento rápido de baterias (em estações de serviço especiais que terão que ser entretanto criadas para servir os novos veículos elétricos) e carregamento lento controlado ou não controlado das baterias (em ruas, parques públicos ou privados de superfícies comerciais ou empresas, garagens colectivas de condomínios ou mesmo na garagens de moradias de cidadãos comuns).

Portugal lidera nas energias renováveis

O sistema eletroprodutor português, pela presença de uma forte componente renovável, pode assegurar a produção de mais eletricidade a partir de fontes de energia “verdes”. Assim, em Portugal os veículos elétricos podem ser mais amigos do ambiente do que em outros países, nomeadamente na Europa Central (fortemente dependente de combustíveis fósseis para a produção de eletricidade). Admite-se que em 2025 a potência eólica instalada em Portugal possa atingir os 9000 MW (atualmente esta potência já ultrapassa os 4000 MW).

O consórcio do projeto MERGE, o maior projeto de investigação europeu do 7º Programa-Quadro (2007-2013) destinado a avaliar o impacto no sistema elétrico de uma utilização em larga escala de veículos elétricos na Europa, envolve 16 empresas e instituições de IDT europeias e o MIT (EUA). Neste projeto participa também a empresa portuguesa REN – Redes Energéticas Nacionais.

Em Discurso Direto


Mauro Rosa, USE

O primeiro ano foi, sem dúvida nenhuma, muito intenso. Porém, foi também gratificante do ponto de vista dos estudos preliminares realizados, bem como da adaptação das ferramentas de análise, que eram o grande desafio deste primeiro período. Alguns resultados, ainda preliminares, já podem ser vistos, e do ponto de vista científico alguns artigos contendo essas experiências foram publicados para dar conhecimento à comunidade científica dos avanços que estamos a promover nesta área. Dessa forma, pode-se dizer que este primeiro ano do projeto MERGE foi bastante satisfatório. Porém, esse efeito fez crescer o desafio para o segundo ano.

Carlos Tejerina, Planificação nas redes de distribuição da Iberdrola

A ferramenta desenvolvida em conjunto com o INESC Porto vai de encontro às expectativas?

Veremos dentro de 12 meses. Este projeto acaba em 2012 mas por agora estamos a ter boas expectativas. Acreditamos que podemos aprender como inserir o veículo elétrico na rede de distribuição que é a parte que envolve a minha empresa.

Como caracteriza a relação do INESC Porto com a sua empresa?

A relação com o INESC Porto está a ser muito boa e bastante próxima. Estamos a trabalhar com vontade e falamos muito. É um instituto que trabalha muito bem e que tem grandes profissionais, principalmente ao desenvolver as ferramentas e a fazer os estudos.

Quais os possíveis impactos a nível económico e ecológico do MERGE?

O MERGE em si é muito completo, dentro das seis áreas que o compõem estamos mais centrados nos estudos. Há outras áreas que se têm que preocupar em como integrar tudo o que estudamos aqui no desenvolvimento futuro do carro elétrico que, como vantagens ecológicas, irá usar menos combustível fóssil, terá maior rendimento e vai usar mais energias renováveis. Eu acredito que no futuro o carro elétrico será um produto que vai minorar um pouco as necessidades que temos de energias externas como é o petróleo, pela aposta nas energias renováveis e pelo consumo mais eficiente da energia.

Qual a inovação que a ferramenta desenvolvida pelo INESC Porto pode trazer para a sua empresa?

O que o INESC Porto nos está a mostrar de melhor são os novos desenvolvimentos de ferramentas de análises de dados. Nós, como companhia elétrica, podemos proporcionar dados de uma rede, tais como que taxas de falha podemos ter, que tipo de consumidores existem e o INESC Porto analisa com as suas ferramentas inovadoras o impacto para integrar na nossa rede elétrica actual. A parte que nos parece mais interessante são os consumos do carro elétrico, que se misturam com os consumos actuais que geram impactos diversos e passam por ver qual o seu efeito na nossa rede.

Belén Diaz-Guerra, Departamento de Planificação da Rede da REE (Rede Elétrica de Espanha)

A ferramenta desenvolvida em conjunto com o INESC Porto vai de encontro às expectativas?

São uns planos bastante técnicos e profissionais dentro do que estamos a ver no projeto. Por culpa de todos tivemos uns atrasos, mas a ferramenta parece adequada e bastante interessante.

Quais os possíveis impactos a nível económico e ecológico do MERGE?

Os impactos que esperamos alcançar são na direção da relação não-política europeia. Que se entenda bem a posição das empresas elétricas e que os nossos requisitos, reticências ou perspetivas sobre o veículo elétrico se encaixem bem com os fabricantes, para que se possa obter algo satisfatório para ambos. E nesse sentido temos que diminuir o impacto no meio ambiental e sobretudo aumentar a eficiência energética que é importante para todos os países.

Qual a inovação que a ferramenta desenvolvida pelo INESC Porto pode trazer para a sua empresa?

Eu acredito que o valor acrescentado do MERGE a nível europeu é unir muitas perspetivas diferentes, cada um tem umas redes elétricas diferentes, necessidades e características do próprio país diferentes. É preciso fazer algo mais porque afinal o fabrico de carros é a nível global e não tem em consideração as características da rede elétrica, o que para mim é que tem mais valor acrescentado. É necessário um desenvolvimento comum e equilibrado que faça sentido em todo o lado.

Pedro Cabral, Responsável pelo Departamento de Segurança de Abastecimento da REN

A ferramenta desenvolvida em conjunto com o INESC Porto vai de encontro às expectativas?

Sim, a ferramenta surgiu de uma necessidade nossa e portanto foi especificada ao longo de um processo demorado mas completo. Assim, só tinha que resultar num produto que respondesse às nossas necessidades. Neste momento nós estamos a utilizá-lo em regime industrial na nossa atividade.

Como caracteriza a relação do INESC Porto com a sua empresa?

A participação da REN no projeto MERGE poder-se-ia considerar independente do projeto Reservas. Evidentemente que aqui não há essa independência completa porque se criou a parceria para desenvolver o projeto Reservas e as três entidades estavam cientes da mais-valia que era participarmos todos no projeto MERGE. O desafio foi lançado pelo INESC Porto, e as mais-valias que vimos da nossa parte, conjugadas com a utilização do Reservas e com a possibilidade de desenvolvermos funcionalidades associadas à integração do carro elétrico, eram no fundo o concretizar de um anseio nosso, portanto não perdemos a oportunidade.

Quais os possíveis impactos a nível económico e ecológico do MERGE?

No que diz respeito à integração de carros elétricos, tem essencialmente a ver com a segurança do abastecimento. O carro elétrico é que tem em si a vantagem de evitar emissões de gases do efeito de estufa, porque usa energias renováveis ou combustíveis menos intensivos em carbono e também porque tem uma eficiência global de conversão superior à dos veículos atuais. Isso está associado em concreto aos carros elétricos e não tanto em relação com aquilo que a REN vê que pode retirar do benefício para a sua atividade na participação do MERGE.

Essas vantagens têm essencialmente a ver com os benefícios do planeamento a longo prazo que é uma das nossas responsabilidades quer a nível das infraestruturas da rede propriamente ditas, quer na identificação das necessidades de reserva, um aspeto que não depende diretamente de nós. Quanto à concretização dos meios de produção que constituem essa reserva, nós somos os últimos a responder porque somos responsáveis pela gestão em tempo real do sistema e portanto não podemos deixar que as coisas aconteçam. Temos de fazer estudos com uma antecedência necessária para identificar essas necessidades de maneira a que o mercado depois tenha tempo e a que sejam criados os mecanismos que deem tempo ao mercado de responder de modo a que esses meios venham a estar disponíveis em tempo útil. Devo dizer que o projeto passou agora, no início do ano, a primeira metade, e já nos forneceu inputs importantes que estamos neste momento a utilizar nos nossos estudos.

Qual a inovação que a ferramenta desenvolvida pelo INESC Porto pode trazer para a sua empresa?

Por exemplo, os perfis previstos para a utilização da infraestrutura para carga dos veículos elétricos vão-se traduzir num impacto no nosso diagrama de consumo que é a principal variável de análise da segurança de abastecimento em estádios futuros. O facto de termos matéria-prima para poder caracterizar esses impactos a nível do diagrama de cargas através dos inquéritos que foram realizados no âmbito do projeto e do tratamento por especialistas no cuidado desses dados, permitiu-nos poder utilizar essa informação. De outra maneira não teríamos acesso a informação tão rica e, por outro lado, ela não seria certamente tão bem tratada, porque o projeto permitiu reunir um conjunto de especialistas que, de outra maneira, não estariam a trabalhar em conjunto para um objetivo comum.

A REN tem neste momento as ferramentas que lhe permitem fazer uma avaliação das necessidades. Estas aparecerão, esperamos nós, quando o carro elétrico se massificar e é importante que, com a antecedência necessária, nós passemos essas mensagens que serão, por exemplo, transmitidas através dos nossos relatórios de monitorização da segurança de abastecimento que produzimos anualmente e que são depois entregues às autoridades, nomeadamente à Direção Geral de Energia.

Fonte Original: BIP 115

sábado, 15 de dezembro de 2012

Projeto ShoeID do INESC Porto foi chave do sucesso do Grupo Kyaia


Grupo Kyaia vence Prémio Retail Technology Europe Award 2011


Imagem D/R
O grupo português de calçado Kyaia é um dos vencedores dos prémios europeus RETA (Retail Technologies Awards) do Instituto de EHI Retail Institute, na categoria Best Enterprise Solution, com o projeto ShoeID, desenvolvido em conjunto com o INESC Porto. O prémio reconhece as melhorias feitas pelo Grupo Kyaia utilizando a tecnologia RFID (Radio Frequency Identification) em toda a cadeia logística da sua marca internacional, a FLY London.

Adriano Cerqueira

Interacção em Ambiente Virtual auxilia escolha dos clientes

A solução ShoeID foi desenvolvida para a FLY London com o objetivo de melhorar a eficiência em toda a cadeia de abastecimento. Além de otimizar os processos e ajudar a evitar perdas na cadeia logística, a solução agrega valor na loja, incorporando um piso inteligente RFID, que permite ao cliente experimentar um par de sapatos e ver a sua imagem projetada em tempo real num ecrã que o coloca de imediato num cenário interativo e virtual das movimentadas ruas de Londres, Tóquio ou Nova Iorque.

Rui Rebelo, investigador da Unidade de Engenharia de Sistemas de Produção (UESP) e responsável pelo  ShoeID, refere a capacidade de inovação da Kyaia como a chave para a conquista do RETA Europe Awards. “Este prémio, pela sua grande relevância para o setor do retalho, é bastante importante pois permitiu uma grande visibilidade ao projeto ShoeID, e, consequentemente ao INESC Porto. Um dos destaques, referidos na entrega do prémio à Kyaia na cerimónia em Dusseldorf, foi precisamente o caráter inovador do projeto. Foi com alguma satisfação que ouvi isto, pois concordo plenamente que este projeto é bastante inovador para o setor, e algumas das ideias do ShoeID saíram precisamente da equipa do INESC Porto na fase de preparação da candidatura”, salienta.

Do fabrico até às lojas

O projeto foi desenvolvido por um consórcio de seis empresas, incluindo o Grupo Kyaia. A Creativesystems desenvolveu e instalou toda a solução; a Avery Dennison forneceu as etiquetas RFID UHF; a Surfaceslab desenvolveu o piso inteligente RFID UHF; a WOW desenvolveu o sistema interativo com cliente final na loja e o Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, uma organização sem fins lucrativos, forneceu o suporte tecnológico e a consultoria empresarial. O INESC Porto, que completa o lote deste consórcio, apoiou a otimização de software e os algoritmos de previsão. O projeto ShoeID contou com o cofinanciamento do QREN, através do programa operacional ON2 - O Novo Norte e o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (UE/FEDER).

Outra das aplicações do ShoeID é a incorporação da tecnologia RFID na fase inicial do ciclo de produção do calçado de forma a facilitar o acompanhamento de toda a cadeia de valor desde as primeiras operações de fabrico do calçado até ao consumidor final, a eliminação da elevada carga documental em papel, a otimização de rotas de distribuição e, ao nível das Lojas e Stands, a introdução de soluções inovadoras ao nível da interatividade produtor-consumidor. Também permite que os gestores das lojas saibam, em qualquer momento, o que está em stock, o que está na frente de loja e o que precisa de ser reabastecido pela FLY London com base no que foi vendido.

Dimensão Internacional é o próximo passo do ShoeID

Questionado sobre o futuro do ShoeID, Rui Rebelo mostra-se confiante na apresentação de resultados em curto prazo. “O projeto está a meio da sua execução e estamos com grande expectativa na obtenção de mais resultados. O INESC Porto está a trabalhar na otimização da rede de distribuição e em modelos de previsão de vendas. Certamente que dentro de poucos meses estes resultados serão divulgados”, adianta.

Os prémios RETA Europe Awards distinguem as melhores soluções na área das tecnologias da informação aplicadas em empresas de venda a retalho. A categoria Best Enterprise Solution, da qual a Kyaia saiu como vencedora, premeia a empresa de venda a retalho que, através do desenvolvimento e da implementação de sistemas e tecnologias inovadoras, conseguiu aumentar os seus níveis de eficiência, tanto no seio do seu negócio como nas suas relações com outras empresas.

Os prémios dos RETA Europe Awards são apresentados anualmente durante as feiras de negócios, EuroShop ou EuroCIS. O júri deste concurso é composto por representantes de indústrias, universidades e de institutos de investigação. A cerimónia teve lugar no Capitol Theater em Düsseldorf (Alemanha).

Fonte Original: BIP 114